Ledo engano pensar a vida do arquiteto como liberdade. Au contraire, a vida do arquiteto é restrição. O arquiteto precisa se limitar à contemplar os desejos do cliente, às restrições dos sistemas construtivos, e os condicionantes do terreno, ad infinitum. E é nas margens destes que ele encontra sua liberdade.
Para o projeto desta casa, na cidade de Bom Retiro, é a topografia e paisagem idílica da serra catarinense que conduz a mão e o olhar do arquiteto.
Logo, a implantação do projeto teve como principal condicionante a área de preservação das araucárias. Respeitando o distanciamento mínimo da vegetação, a casa foi posicionada em uma porção mais elevada do terreno, balizada pela vista para o pôr do sol.
A estratégia projetual de orientar a casa para a vista mais interessante resultou em uma decupagem linear, na qual, democraticamente, todos os espaços se voltam para o oeste, ladeados por uma grande varanda que protege das intempéries e do sol excessivo da tarde.
Ainda buscando beneficiar a vista, a casa ‘térrea’ se leva acima do terreno, deixando em um nível inferior apenas o abrigo para estacionamento, as áreas técnicas e um pequeno jardim que recepciona os moradores e visitantes.
A esbeltez da arquitetura proposta se beneficia do sistema construtivo, toda em estrutura metálica, com paredes em drywall e externamente revestida de madeira, tratada com a técnica de carbonização japonesa do ‘shou sugi ban’ que dá o aspecto enegrecido das fachadas.
Ao criar uma arquitetura que contraste com a natureza e paisagem do entorno, buscamos uma forma de conservar a unidade paisagística no local, encapsulando, preservando e emoldurando essa paisagem.
Ficha técnica
• Tipo: Residência unifamiliar
• Cliente: AA
• Local: Bom Retiro/SC, Brasil
• Equipe: Luiz César Ferreira dos Santos Júnior, Maeve Camargo Waltrick, Marcos Silva Oshiro, Matheus Limas de Oliveira, Nicolas Machado Duarte, Samuel Soares Sandrini e Tueilon de Oliveira
• Ano: 2021
• Área: 606,35 m²
• Status: Construído