Prazer, Plus Arquitetura
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Em meio ao mar de questionamentos, incertezas e dúvidas que estamos enfrentando em 2020, uma coisa é certa: nossa noção de normalidade mudou drasticamente. Através do “novo normal” entraram na rotina as máscaras, o álcool em gel e o termômetro digital.
Tarefa antes simples e agradável, como por exemplo, um passeio ao mercado para comprar os mantimentos, se transformou em uma atividade laboriosa: passar por todos os protocolos de higiene (de você e das compras) modificou a rotina de qualquer pessoa.
É fato que a pandemia do Coronavírus, que acomete o mundo inteiro desde o começo do ano, e o Brasil, mais especificamente, desde março, trouxe sérias consequências para cidades, governos e economia.
O enfrentamento de problemas, a busca de soluções e a adaptabilidade são grandes características dos seres humanos. Impossibilitados de exercer atividades antes consideradas rotineiras, tivemos que nos adaptar às mais diversas situações.

Nunca compramos tanto pela internet: de comida à brinquedos para divertir os pequenos em casa. As reuniões com amigos e familiares mudaram de lugar: a confraternização no bar e o almoço de domingo deram lugar às reuniões online. Tudo sem sair de casa. A pandemia provocou mudanças em quase todos os aspectos de nossas vidas, inclusive o organizacional.
Um dos grandes desafios imposto pelo distanciamento físico foi manter a qualidade e eficiência do trabalho, mesmo em condições remotas. O trabalho remoto, mais conhecido como home office, foi uma prática adotada por diversas empresas com o agravamento da pandemia, como medida para reduzir o contágio.
Um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) publicado em março deste ano, afirmava que com a pandemia do Coronavírus, a possibilidade de crescimento do home office após o período de estabilização dos casos e retomada das atividades poderia chegar a 30% e provocar uma mudança nas culturas organizacionais.
Nós da PLUS Arquitetura adotamos o trabalho remoto, atendendo às recomendações da OMS e do governo local. Nosso escritório ficou fechado por 40 dias, e entre os meses de abril e maio a casa de cada colaborador virou seu ambiente de trabalho.

Imagem: Sala da casa de um dos nossos colaboradores, que virou seu home office
O home office foi a solução para que o trabalho não parasse e os projetos iniciados tivessem continuidade. Porém, é indiscutível que essa situação impactou profundamente a rotina do escritório. Adotamos como princípios básicos da atuação remota a comunicação periódica e instruções claras sobre os processos de trabalho entre os membros da equipe, mas enfrentamos alguns desafios.
Foi preciso acompanhar o ritmo das mudanças e para isso, usamos a tecnologia a nosso favor. Graças aos investimentos feitos na área de TI (Tecnologia da Informação) que realizamos nos últimos anos, conseguimos, de nossas casas, acessar e modificar (ao mesmo tempo) qualquer projeto, que do contrário seria difícil. Mas, mesmo munidos com a mais moderna tecnologia, não significa dizer que não houve tropeços no caminho.
Nossa dinâmica de trabalho precisou ser adaptada em virtude do home office. Aqui na PLUS Arquitetura, temos um método de trabalho bastante horizontal. Isso significa dizer que um arquiteto nunca faz um projeto sozinho. Ele é sempre uma construção coletiva, que envolve mais ou menos pessoas, a depender da escala. Coordenar o trabalho de grandes equipes e construir o processo de projeto coletivamente foi uma tarefa árdua. Conseguimos, em conjunto e de forma remota, construir o projeto inteiro da sede administrativa de uma companhia de saneamento. Aqui, a tecnologia nos ajudou, mas ela não substitui a troca diária da equipe e o convívio pessoal entre todos que trabalham no escritório.
Poder trabalhar sem ser constantemente interrompido por filhos e manter a concentração em casa também não foi tarefa fácil. Afinal, crianças são conhecidas por terem muita imaginação e disposição para brincadeiras. Assim, a rotina de trabalho teve que disputar espaço com a rotina de atenção e cuidado dos pequenos.

Apresentar um projeto ao cliente por videoconferência foi desafiador. Isso se deve por várias razões: uma delas é algo bastante conhecido e almejado para quem trabalha com serviços: a experiência do usuário. Como transmitir a exata experiência de um projeto que levou meses para ser pensado, através apenas de uma tela?
Outra dificuldade quando falamos de tecnologia refere-se à falta de controle sobre como o material apresentado é visto. Mesmo driblando uma possível falha técnica (sim, elas acontecem quando menos se espera – e deseja!), algumas vezes, um vídeo que foi feito – e pensado, para ser assistido em uma tela de alta resolução, era visualizado pelo cliente em um aparelho celular. Ou então, quando escolhemos cuidadosamente uma música e sincronizamos com as imagens, em uma tentativa de aguçar os sentidos de nossos clientes, eles deixavam o som com o volume baixo, perdendo completamente a sensação esperada.
Apresentar os projetos presencialmente permite que o cliente venha até a PLUS e tenha o que chamamos de uma relação completa com o espaço e as pessoas. Tudo é pensado para permitir essa troca: desde a maneira como nosso escritório foi projetado (escolha do mobiliário, vegetação, iluminação, acústica e conforto da sala de reunião), à essência que utilizamos no espaço, até o cafezinho servido. Mas, com a interação tendo que ser concretizada pela tela de um computador ou de um celular, a experiência ficou incompleta.
Dezembro de 2020. Não vencemos a pandemia. E, enquanto sociedade, ainda estamos trabalhando para mudar a maneira como nos relacionamos com as pessoas e com os espaços. No entanto, também estamos condicionados a um espaço físico como suporte que permita nossa aproximação e, por consequência, a construção coletiva.
Se, como dizia o poeta, a vida é a arte do encontro, como viver sem se encontrar? Os seres humanos precisam se agrupar, pois é justamente no coletivo, nas trocas e na relação entre diversidade e identidade que reside a sua existência. E os espaços (os de trabalho inclusos) são, por excelência, um mediador dessas relações sociais.
Nesse momento de tantas dúvidas, sentados em frente aos nossos computadores, nas nossas casas ou já de volta à rotina do escritório, temos também outra certeza: precisamos de gente.

Por Thaís Ramos
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